Achar que o FGTS é um benefício do trabalhador seria, no mínimo, romântico, acreditar que o trabalhador se socorre do FGTS seria alienação.
Por outro lado, essa verba, recolhida mensalmente aos bilhões, tem uso totalmente obscuro, sem que se saiba para onde vai e se retorna.
Vou dá um exemplo: no meu Estado, Piauí, está sendo construído um porto há mais de um século, e por elementar, o que é feito se perde ao longo do tempo. Recentemente, um estudo apontou que seriam necessários R$ 450.000,00 para concluir a obra, não obstante, o Governo Federal entendeu que seria, para o Brasil, mais importante construir um porto em Cuba e investiu R$ 600.000,00 do BNDES (custeado pelo FGTS) na construção de um porto naquele país.
Não obstante, as contas vinculadas ao FGTS têm uma correção pífia, que nem de longe acompanha a inflação, mesmo quando esta ainda estava controlada.
Como mencionou o Dr. João Paulo, desde a revolução industrial, o direito trabalhista se presta a regular as relações empregado/empregador. Não obstante, o direito é antes de tudo resultado da sociedade e a ela deve servir. O Direito moderno tem a obrigação de ser pragmático. As críticas aos discursos "neoliberais" incorrem no grave risco de serem demasiado radicais e por esta razão, podem ser contaminados por ceticismo.
Acreditar que a tributação sobre grandes fortunas e grandes heranças vai reduzir qualquer desigualdade é ilusório, evidência disso, basta que os colegas façam consulta aos servidores da (s) vara (s) (ou juízo) de sucessões de vossas cidades/comarcas e procurem saber quantos processos dessa natureza estão em tramitação. Quanto as grandes fortunas, quero lembrar que estamos no Brasil, onde, segundo IBGE, família de classe media é aquela com renda entre R$ 1.000,00 e R$ 8.000,00, acima desse valor, que não é per capto, considera-se classe alto, ou seja, no Brasil a família com renda superior a R$ 8.000,00 é rica.
Realidade inavegável, caros doutores, é que o Direito Trabalhista Brasileiro presta um desserviço a empregados e empregadores e é um inibidor da geração de empregos, fundamental ao desenvolvimento.